Foto: Amanda / faculdade São Francisco de Assis
Amanda: O que você está achando sobre a função de gestão?
Lis:“É complicado, não é tão legal quanto ser repórter.”
Amanda: Você gosta mais de ir na rua, entrevistar e produzir conteúdo?
Lis: “Eu preferia, mas é uma evolução natural. Quando tu é repórter, você só pensa no teu, nas tuas matérias. Quando tu vira editora, tu tem que pensar se o jornal tem manchete ou não, se tu vai ter espaço pra tudo o que tu quer adaptar, são outras preocupações. Gerenciar as pessoas também é bem chato, os funcionários ficam brigando porque querem ter férias no mesmo mês, aí tem que ficar cuidando...”
Amanda: Você se sente muito pressionada pra ter um conteúdo perfeito, já que tu é responsável por corrigir e mandar em tudo“Totalmente, é uma pressão que tem pessoas que não aguentam, não é pra qualquer um.”
Amanda: Como você faz pra lidar com esse estresse?
Lis: “Tem que ir vivendo um dia de cada vez, mas a pressão é total. Tem muita gente que não tem competência pra trabalhar em redação, poucos aguentam tantos anos.”
Amanda: Você acredita que para ser repórter ou assessora a pessoa deve manter as redes sociais o mais fechadas possível, no sentido de evitar o compartilhamento de momentos pessoais, como festas e etc?
Lis: “É que as duas coisas acabam se misturando, o seu privado e o seu público. Tu tem que dar uma filtrada, entender o que tu quer, qual recado tu quer passar. Mas isso não quer dizer que tu não precisa opinar sobre nada. Quando tu vai procurar um emprego é certo que vão vasculhar a tua rede, mas não que isso vá te comprometer, porque tem muita gente que trabalha aqui que põe no face foto de balada. “
Amanda: Há quem diga que repórteres e jornalistas em geral não devem expor suas opiniões nas redes sociais. O que você tem a dizer sobre isso?
Lis: “ É muito complicado. Por exemplo, na RBS tu recebe várias orientações de como usar as tuas redes sociais. Eu trabalho em uma empresa para a qual a opinião é muito importante, então é preciso ter um certo limite para se manifestar. Na semana passada, um colega nosso se manifestou de uma forma meio exagerada sobre a questão do Queemuseu, e usaram o post pessoal dele pra dizer que era opinião da Zero Hora e o MBL liderou um boicote à Zero Hora baseado em uma opinião pessoal que ele deu sobre o assunto.
Amanda: Será que existe um meio de opinar sem causar uma grande polêmica, talvez escolhendo melhor as palavras?
Lis: “O posicionamento é uma linha muito tênue. Eu, particularmente, acabo não me envolvendo em assuntos polêmicos na internet justamente pra evitar incomodação pro meu lado. Acabo preferindo expor as minhas opiniões apenas em rodas de amigos e usando menos as minhas redes sociais pra esse tipo de debate”
Amanda: Quando um repórter possui um posicionamento forte em determinados assuntos, você acha que tem muita chance de esse posicionamento se misturar com a notícia que ele irá produzir, mesmo que de forma inconsciente?
Lis: “Quando tu faz um texto jornalístico, tu não traz a tua opinião. Às vezes é difícil, mas tu tem que ouvir os dois lados. Vamos supor que tu vai cobrir uma reintegração de residências em uma área onde vivem muitos pobres: vai estar havendo muitas famílias que vão ficar sem casa. Tu pode ter uma tendência a colocar eles como uns coitadinhos, mas por outro lado, a justiça que ordenou. É a justiça que determina tudo, sinal que pode ser prejudicial, que aquele lugar tem dono. Tu também não pode fazer o texto dizendo que eles são uns coitadinhos e que o dono do lugar é uma peste, então tu tem que sempre manter a tua imparcialidade. Isso também tem muito a ver com o veículo no qual você trabalha, por exemplo, uma coisa é tu trabalhar na RBS e outra é tu trabalhar na Mídia Ninja, no Sul21, que são lugares onde o posicionamento é mais de esquerda e tu tem que adotar o posicionamento da empresa onde tu tá trabalhando. A empresa vai te dizer o que pode e o que não pode e como ela atua em determinadas ocasiões”.
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